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Quarta-feira, Setembro 24, 2008

De: Paulo Barroso Data: 14/08/2005 20:26 Assunto: RE: Notícias
(...) estou numa empreitada com gramas. Plantei uma grama aqui em frente de casa, num terreno publico deteriorado, mas foi com sementes de grama bermuda. Uma aventura! Entrei literalmente na enxada. Acabei com minhas mãos, mas elas já se recuperaram, mas o mais incrível é que virei uma figura popular no bairro. Não tinha um que não comentasse, mas só quem me ajudou foi mesmo as crianças. Ainda há muito que fazer, esse barranco é terrível, cheio de entulho. Muita pedra, azulejo, que aos poucos eu vou retirando. O problema é que tem que ter um saco especial para colocar as pedras. E a grama demora três meses para vingar e tenho que acordar seis da manhã pra dar água, mas é uma bela tentativa.(...)
Paulo Sérgio Fernandes Barroso nasceu em 2 de novembro de 1969, na cidade de Itapipoca, Ceará. Filho de pais adotivos, mudou-se para São Paulo aos quatro anos de idade. Aos 16 anos entrou para o Teatro-escola Célia Helena. Concluiu o segundo grau e profissionalizou-se em 1990 como ator. Trabalhou em vários grupos, fez teatro de rua, peças experimentais e dirigiu infantis. Em 1990, iniciou experimentações dramatúrgicas em processo colaborativo com atores. Fez parte do Círculo de Dramaturgia do CPT-SESC, onde teve sua peça Entre dois Pregadores publicada em 2005. Mais recentemente, ensaiava com amigos atores e colaboradores de outras áreas a montagem de sua peça Boca de Pedra (2004/2008). Faleceu no último dia 18.
21:28
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O arquiteto Louis Kahn disse que um tijolo tinha vontade própria. Eu olhei para plástico e vi o contrário desse tijolo adâmico criado pelo homem, que adquiriu vontade própria, aspirando ser catedrais, palácios, casas, coisas nobres etc... Esse destilado de sangue negro de dinossauro - milhões de anos apodrecendo nas trevas -, não tinha vontade de ser nada. Foi ser saco de lixo, imitação de couro, seios postiços, prancha de surf, roupa, carro, barco, dinheiro, válvula de coração, teclado de computador... Pensei comigo, "Que material interessante de se lidar!" Então, ele passou a ser para mim, além de áspero, agressivo, artificial, mediano, sem caráter, sem vontade própria, algo com possibilidades infinitas. Um verdadeiro desafio. Foi quando comecei a experiência: ao longo desses últimos 25 anos, trabalho para tornar o plástico livre. Hoje, até a minha cruz é de plástico.
Exposição: Dudi Maia Rosa Local: Instituto Tomie Ohtake (r. Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo) Abertura: quinta-feira, 28 de fevereiro, 20:00hs Informações: (tel. 11 2245-1900).
Que prazer vê-los por lá.
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Boi, pinturas recentes

José Carlos Ferreira, BOI na Fundação Stickel.
8 Abril, sábado, das 16:00 às 20:00h R. Ribeirão Claro 37 - Vila Olímpia 04549-060 São Paulo SP tel 11 3849-8906
Exposição de 8 Abril a 6 Maio 2006, de segunda a sexta das 14:00 às 20:00h sábados das 11:00 às 15:00h
Essa, a seguir, é minha exposição, no Rio de Janeiro - com lançamento do livro!

Dudi Maia Rosa, na Galeria Mercedes Viegas (r. João Borges, 86, Rio de Janeiro, RJ) dia 11 de abril a partir das 19:00hs.
Que prazer é encontrar os amigos nessas ocasiões!
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Isto em 1980. Fui à livraria do Frederico Nasser, a Horizonte, e pedi o livro “A Ordem Oculta da Arte” do Anton Ehrenzweig. Ele muito sabido, percebendo avidez no meu pedido, sorrateiramente embrulhou as “Primeiras Estórias” do Guimarães Rosa e falou - Aqui está a ordem oculta da arte. Cheguei em casa, desembrulhei o pacote e caiu a ficha!

O professor de violoncelo do meu filho Rafa, o Sigmund Kubala, polonês que se aquerenciou aqui no Brasil, estava passando um duro pedaço em Campos do Jordão, dando aulas e sofrendo um frio do cão.
Peguei uma garrafa de vodka Viborova e para lá seguimos a visita. Quando o encontramos no hotel fomos abraça-lo e imediatamente o presenteamos com a vodka. O olhinho dele brilhou e comovido, pronunciou- ISSSSSTO É CONTEÚÚÚDO!”. O Kubala me contou que passou mais de ano estudando todos os times de futebol aqui do Brasil e apostava seriamente na Loteca, até que um dia, diz ele que era esperado, acertou em cheio os 13 pontos e com esse dinheiro comprou seu violoncelo magnífico na Argentina, um piano Steiway e sua casa própria”.

O tio Arlindo Maia Lello, era deputado Federal do PSP, partido do Ademar de Barros. Um dia levou meu pai para a casa deste e lá tinha muita gente, muitos políticos e num dado momento todo mundo entrou numa sala para conchavar e só ficaram de fora, barrados, o meu pai e o Jucelino Kubitschek. Dai segue-se o dialogo constrangido ... É...né?.... que o senhor faz?...é eu sou prefeito de Belzonte .......é...e ocê?.... eu sou primo do Arlindo......é né? Pois é!...Bom né....

Não sei porque , mas um dia estava na casa do Sansor Flexor, o artista. Era uma casa modernista na Vila Mariana, se não me engano, cercado por seus trabalhos me vi aconselhado por ele que o papel Canson nacional, era excelente para gravar, aquarelar e o que fosse, bastava deixa-lo de molho por umas 12 hs e depois, seca-lo, escova-lo, esfrega-lo, segundo ele, como com as mulheres, até o orgasmo.

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Reprise:

Em 1969 passei uns tempos em Londres e veio a ter comigo o Zé Resende. Um dia o Zé me convidou para conhecer o Hélio Oiticica que por lá estava expondo seu trabalho na White Chapple. Nos encontramos num café em Knigthsbridge, um bairro chique. Imediatamente quando ele lá entrou, falou - Não gosto daqui, lugar metido (num tom baixo, cariocado, malandro e sóbrio), e, mais adiante esclareceu – Gosto de lugar que tem bandido. E no desenrolar da conversa, reclamou que tinha colocado uma mesa de sinuca na sua exposição e não conseguiu ver uma “puta” duma mosca para coroar sua instalação. Lá pelas tantas ofereci um cigarro pra ele, no que ele me respondeu - eu não... não fumo essa fumaça boba, puxa, puxa e não dá nada! Só fumo maconha! Fiquei assustadíssimo e encantado! Depois seguimos para a Tate Galery que lá estavam expondo os minimalistas, numa beleza de exposição. Nisso o Hélio revelou toda sua sensibilidade e inteligência. Nunca me esqueço do momento em que ele, diante de um Kelly, mostrou seu enorme tesão pelo que estava vendo e vivenciando. Iluminou os trabalhos de uma forma que nunca tinha percebido. Sabia tudo. Transmitiu emoção, clareza e entendimento. Uma luz! Que experiência!!! Tento através dos anos reconstituir todo esse nosso encontro nos mínimos detalhes para resgatá-lo na sua inteireza. Pérola!
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Segunda-feira, Março 28, 2005
Domingo, Março 27, 2005

Mostrando e enseñando, quizá las hermanas gemías de dientes chiquitos aprenderán el vuelo para el infinito... A mulher giganta me meteu um medo danado, suei um bocadinho. Outra, nua, era atirada do helicóptero, no meio do oceano noturno. O Rolls-Royce entalava num túnel estreito demais e alguém, ao celular com a Gilda, participava a devolução de um quadro meu que fora o motivo do suicídio de seu irmão. A arquitetura modernista projetava-se linda no alto de tudo e de tão maravilhosa e limpa, toda a cidade se cristalizou, azul, em planos horizontais de água: algo a ver com meu Pai e minha Mãe.
00:18
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Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
Terça-feira, Novembro 16, 2004
Foi exatamente assim. Na minha ociosidade do ano de 1970, ficava horas observando as moscas, num estado de, vamos dizer, consciência aumentada ou alterada (como queiram) e conseguia me concentrar, absolutamente, no movimento de uma das escolhidas e não deixava nem um segundo que ela saísse de meu campo de visão.
Até que comecei a perceber que minha observação interferia no vôo dela. Digamos que percebi que ela , a mosca , se sujeitava à minha observação. Comecei a determinar se queria que ela voasse para cima ou para baixo, para perto ou para longe, até fazer com que ela, segundo minha vontade, pousasse na minha mão. Fazia isso com domínio e certeza. Quantas vezes propusesse, realizava. Um dia chamei uma pequena platéia para me assistir. Minha mãe, minha cunhada, minha sobrinha e a empregada que trabalhava lá em casa. E assim foi. Concentrei numa mosca, segui-a com minha atenção e com movimento de minha mão, até que senti que ela estava sob meu comando, fiz com que ela pousasse na minha mão, conforme o prometido para a pequena platéia.
No que me lembro, foi essa a reação da minha espantada mãe -Olha!!! A mosca vem na mão dele!!! Que menino!
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Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Domingo, Outubro 24, 2004
Segunda-feira, Outubro 18, 2004
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Quinta-feira, Agosto 26, 2004
Sexta-feira, Julho 30, 2004
DUDI MAIA ROSA 14 obras inéditas
Galeria Brito Cimino 4 de agosto, quarta-feira, às 19 horas. (r. Gomes de Carvalho, 842, Vila Olímpia, São Paulo, SP, tel. 3842 0635 ou 3842 0634)
Centro Cultural São Paulo 11 de agosto, quarta-feira, às 19 horas. (r. Vergueiro, 1000, Paraiso, São Paulo,SP, tel. 3277- 3611).
Estão todos convidados.
00:08
Quinta-feira, Julho 22, 2004
Quarta-feira, Julho 21, 2004
Na minha pré-história, quando ia pintar, não sabia “o que” nem “como”.
Então recorria a recursos obscuros para suprir a minha ignorância, e assim me sujeitando, o comando da ação era delegado para “entidades duvidosas”.
E eis que um dia me apareceu a imagem e a voz clara de um velhinho pintor, italiano, que começou a me ditar o que fazer. “Oggi faciamo uma donna!” e eu prontamente atendi o pedido mandando ver na pintura. E ele continuava ” Piú di rosso, meno jalo, piú de blu, molto ciaro, alora! piú sensuale...” e assim se desenvolviam as sessões, por mêses, para o meu contentamento e resultados patéticos.
Até que um dia botei em dúvida o processo. ”Cázzo! Quem mandada aqui? Eu ou o velhinho italiano?” E numa decisão definitiva, mandei o velhinho “a merda” e nunca mais dei ouvidos as suas tentações. Pensei “aqui quem manda sou eu, e pronto!”
E não é que uma semana depois me veio um amigo pintor, vizinho, dizendo ” fiz um belo quadro de um nú feminino, pois um velhinho pintor, italiano, baixou em mim e me ditou uma pintura inteirinha!” (hehehehehehehe)
"Ah!...", disse eu, "Mandei esse cara embora e ele foi baixar no seu terreiro. Sai dessa que esse velhinho é fumaça!"
Assim Higienópolis foi exorcizada e se livrou de tentações maneiristas.
Como dizia Sergio Camargo: "Na arte, quem não tem pai , é filho da mãe".
15:02
Sexta-feira, Julho 09, 2004
Quinta-feira, Junho 24, 2004
Quarta-feira, Junho 16, 2004
Segunda-feira, Maio 31, 2004
Quinta-feira, Maio 27, 2004
Sábado, Maio 15, 2004
Sexta-feira, Maio 14, 2004
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Quarta-feira, Abril 28, 2004
Terça-feira, Abril 27, 2004
Quarta-feira, Abril 21, 2004
Quarta-feira, Abril 14, 2004
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Terça-feira, Março 23, 2004
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Quarta-feira, Março 17, 2004
Quinta-feira, Março 11, 2004
Quarta-feira, Março 03, 2004
Lá por 1956, tínhamos um professor de inglês, o Mister Young, que além de professor se dizia também curador (curandeiro). Era por radioestesia ou algo assim, que dizia curar tudo e quem quer que fosse, com qualquer tipo de problemas. Perguntamos, eu e meus irmãos, se ele curava pessoas em cadeira de rodas, no que ele disse que, com certeza, sim.
Saímos de sua casa radiantes, pois tínhamos uma vizinha, a Neta, que era entrevada desde sempre e pensamos que todos os problemas delas tinham sido resolvidos.
No mesmo dia convocamos toda a molecada do prédio, Jorge, Xoxó, Paulinho, Reinaldão, eu e meus irmãos e pegamos a Neta que imediatamente de dispôs ir ao encontro com sua cura.
Andamos uns cinco quarteirões por Higienópolis noite adentro a toda velocidade. A meninada empurrou com vontade e confiança, numa alegria, a cadeira de rodas com a Neta .
Quando lá chegamos, a casa do Mister Young tinha uma entrada estreita e logo em seguida uma escada. Levamos a Neta com cadeira e tudo lá pra cima rapidinho. E apresentamos a Neta para seu curador. Não sei bem o que se deu ou qual foi o diálogo entre eles mas acredito que ele sentiu que era jogo duro, a maior encrenca.
Sei que voltamos pelo mesmo caminho meio desanimados, mas pensando na alegria daquela jornada sei que o milagre, mesmo não evidente, tinha sido feito.
23:35
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Em 1969 passei uns tempos em Londres e veio a ter comigo o Zé Resende. Um dia o Zé me convidou para conhecer o Hélio Oiticica que por lá estava expondo seu trabalho na White Chapple. Nos encontramos num café em Knigthsbridge, um bairro chique. Imediatamente quando ele lá entrou, falou - Não gosto daqui, lugar metido (num tom baixo, cariocado, malandro e sóbrio), e, mais adiante esclareceu – Gosto de lugar que tem bandido. E no desenrolar da conversa, reclamou que tinha colocado uma mesa de sinuca na sua exposição e não conseguiu ver uma “puta” duma mosca para coroar sua instalação. Lá pelas tantas ofereci um cigarro pra ele, no que ele me respondeu - eu não... não fumo essa fumaça boba, puxa, puxa e não dá nada! Só fumo maconha! Fiquei assustadíssimo e encantado! Depois seguimos para a Tate Galery que lá estavam expondo os minimalistas, numa beleza de exposição. Nisso o Hélio revelou toda sua sensibilidade e inteligência. Nunca me esqueço do momento em que ele, diante de um Kelly, mostrou seu enorme tesão pelo que estava vendo e vivenciando. Iluminou os trabalhos de uma forma que nunca tinha percebido. Sabia tudo. Transmitiu emoção, clareza e entendimento. Uma luz! Que experiência!!! Tento através dos anos reconstituir todo esse nosso encontro nos mínimos detalhes para resgatá-lo na sua inteireza. Pérola!
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Sexta-feira, Novembro 07, 2003
Em 1967 dei meus primeiros passos na pintura, com entusiasmo, paixão e inconsciência.
Éramos eu e o Boi (José C. Ferreira) e imediatamente queríamos expor. Essa era a palavra mágica. Expor. Não existia faculdade de artes plásticas e expor era a via régia para se saber “artista”.
Nos inscrevemos no salão de Campinas e todo o dia íamos ao jornaleiro para ver se tinha saído o resultado. Não é que um dia saiu e lá estavam os nossos nomes.
EBAAAA, TINHAMOS SIDO ACEITOS!! Isso era uma glória!
Imediatamente comemoramos com uma puta festa, convidando todo mundo.
No dia da inauguração para lá fomos em caravana noturna de quatro carros, pai, mãe, irmãos, namoradas e amigos.
Quando lá chegamos, imediatamente procurei por meu trabalho. Queria vê-lo pendurado na exposição...e nada de achar. Perguntando para a administração o que se passava, acabaram por constatar que eu não fazia parte do salão. Tinha sido recusado e portanto o meu nome saiu no jornal por engano.
Com o Boi foi tudo normal e me lembro do Mario Shemberg (um dos jurados) falando bem do seu trabalho.
Para mim foi uma viajem para o abismo. Uma verdadeira iniciação ao que seria esse mundo das artes.
Como disse a Leda Catunda, metade da vida foi ser recusado de salões, a outra foi ser jurado. Como entendi depois, não era para principiante!
eheheheheheheheh
15:20
Quarta-feira, Novembro 05, 2003
Sábado, Novembro 01, 2003
Quinta-feira, Outubro 30, 2003
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Sexta-feira, Outubro 24, 2003
Eu e o Rafa, meu filho, estávamos sentados na areia do Leblon, num fim de tarde tranqüilo, e num segundo, sem percebemos como, sentaram bem próximo de nós, mas bem próximo mesmo, um casal. Ela discreta e mais distante e ele, com os movimentos do corpo comprometidos por algum derrame e com evidências de dificuldade de falar e se locomover, mas muito comunicativo, puxou conversa com a gente ( não existe possibilidade de você estar sentado sem que isso aconteça, no Rio).
Ele contou que era alagoano e morava no Rio a mais de 40 anos e seus filhos eram cariocas, como foi o seu derrame, e por aí foi. Perguntou por nós e nos sabendo paulistas elogiou o Maluf (eca!)... Lá pelas tantas perguntou se não íamos nadar? Dissemos que sim pois era essa nossa intenção. E não é que ele pediu para ir conosco e se podíamos dar uma ajudinha. Eu e o Rafa o pegamos no colo, cada um dum lado e lá fomos pra água. E quando estávamos com água pelos joelhos ele falou –Pode largar! E assim fizemos e ele afundou imediatamente e logo emergindo e afundando vigorosamente, afundou de novo, e tome onda, e respirou, três vezes, e em movimentos enérgicos e descordenados tomou seu banho de mar.
Foi o banho de mar mais valorizado e insólito que jamais tinha visto. Senti-me numa cena bíblica, levando um aleijado se banhar no poço de Siloé! Impressionante.
Falou que estava satisfeito, agradecido e se podíamos levá-lo para a areia. Assim fizemos e de lá se despediu e foi embora com sua mulher.
Pensei que nunca tinha visto tamanha determinação de um ato de vontade. Equivalia a um batismo. Ele sabia o que queria e como conseguir.
Ficamos maravilhados.
14:07
Terça-feira, Outubro 21, 2003
Terça-feira, Outubro 14, 2003
Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Sexta-feira, Outubro 03, 2003
Quinta-feira, Outubro 02, 2003
Quarta-feira, Outubro 01, 2003
Terça-feira, Setembro 30, 2003
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Sexta-feira, Setembro 26, 2003
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Terça-feira, Setembro 23, 2003
Quinta-feira, Setembro 18, 2003
Terça-feira, Setembro 16, 2003
Segunda-feira, Setembro 15, 2003
Na Escola Brasil:, meu querido mestre de gravura, Babinski, apareceu um dia todo estropiado. Estava enfaixado, cara machucada e cheia de pontos, com os dois braços numa casca de ferida só. Eu, assustado, perguntei: "Que foi Babi? Que te aconteceu?" E ele contou que ao parar com sua moto num sinal vermelho da Av. Rebouças foi atingido em cheio, por trás, por um carro que sem conseguir frear o jogou para o alto a uns 8 metros adiante... "Caramba!!", disse eu, "Deve ter sido horrível!". E ele me respondeu com uma risadinha polonesa: "Enquanto estava no ar, estava bom."
23:33
Sábado, Setembro 13, 2003
Quarta-feira, Setembro 10, 2003
A Gilda veio do Rio com 15 anos e trouxe consigo o Loreco.
Eu paulistano, meio provinciano, nada sabia sobre essa ave, o que me custou umas beliscadas doídas pra caramba.
Um dia, na chácara, lugar grande e cheio de plantas, me perdi da Gilda e por ela chamei:
-Giiiillldaaaa!!!
No que imediatamente, ouvi atrás de mim, como um espelho da minha alma o mesmo chamado, igualzinho como tinha proferido:
-Giiiillldaaaa!. Era o loreco me imitando.
Tal qual um Narciso revelado, fiquei vermelho da cabeça aos pés.
17:49
Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Na fazenda todos andavam a cavalo menos eu que andava numa mula, que se
chamava Baihana. Era uma lerdeza, uma tristeza, e dura de levar como ela só. Quando todos galopavam, eu mal conseguia trotar, mesmo às custa de chicotadas.
Um dia, vi um peão montando a Baihiana e essa me pareceu a mais linda das montarias: Fogosa, arisca e ágil!!!
Fiquei maravilhado e achei que todos os meus problemas tinham se resolvido, no que constatei que era em razão do peão estar usando esporas.
Dito e feito, nos meus onze anos, vesti um par delas e lá fui eu, meio na surdina, longe dos meus irmãos, montar a mula!
A peãozada ficou só olhando, calada!
eheheheheheh
Na primeira picada que dei com as rosetas, a bicha retesou e deu um tremendo salto, seguido de uma fantástica arrancada e desembestou. Não consegui mais conter a disparada e no galope desenfreado eu ia, com o balançar das pernas, esporeando cada vez mais e mais e mais a barriga dela... que só acabou quando no limite da cerca ela refugou e caí, traumaticamente, pra fora da sela, meio com o pé enroscado no estribo e ainda arrastado por alguns metros. Foi um pesadelo infinito que enquanto durou, rezei uns vinte pai-nossos e umas quarenta ave-marias, jurei vir a ser bom e nunca mais usar esporas na vida!
Moral: uma dureza é, nas mãos hábeis e experientes, uma beleza, que por volta da incompetência, é uma bela encrenca com juramentos prósperos!
E não é que esse blog está fazendo, nesse mês, dois anos e me parece que só agora estou começando a me abrir! ;) ehehe
16:31
Segunda-feira, Setembro 01, 2003
No livro "Em Busca do Tempo Perdido", Proust traz uma passagem em que a personagem da tia,
ao passar pela igreja da vila, vê em sua torre o que considera as duas qualidades fundamentais
do caráter humano: Simplicidade e Distinção!
Dona Augusta, 87 anos, e Dona Lucia, 83 anos .
Duas calabresas, heroínas da Móoca que encontramos na
hora do almoço na Cantina San Marco.
Ao fundo, deve ser o genro Luigi...
Fiquei observando a foto e viajei na idéia de que os dois vasos de flor atrás contam muito
da personalidade de cada uma: A Augusta sempre foi uma mulher apaixonada e com muitas aventuras para contar
e a Lucia, uma mulher singela, casta e fiel a um único amor. "Luigi" um mediador-mistério das relações!
hehehe - Se non é vero....
17:20
Quinta-feira, Agosto 28, 2003
Esta estória foi lembrada pelo meu filho Rafael quando ele proferiu uma palestra sobre o John Ashbery e eu estava assistindo. No desenrolar da conversa ele sacou essa e caiu como um meteoro na minha cabeça esquecida.
Foi uma vez, quando levei os meus filhos, então pequenos, para ver o Flipper, o golfinho, em circo-piscina armado ao ar livre no Shopping Morumbi.
Lá pelas tantas o animador convidou alguém do público, para ir lá na frente junto a eles onde estava o Flipper, para participar da brincadeira.
Pensei que seria uma chance imperdível de ver o bicho de perto e para espanto da minha família me candidatei, entre umas 300 pessoas, fui escolhido.
Fui para junto do animador que propôs que eu dançasse de uma determinada maneira que me fez passar um certo constrangimento pois como eu fiz exatamente como pediu ele me gozou, imitando o Renato Aragão, que por sinal eu detesto, e dizendo - Ele saaaaabe!
Toda a platéia riu. Fiquei puto!
Mas o mais incrível é que enquanto eu dançava para o golfinho ele fazia um movimento formidável de nadar só com a cauda e com todo seu corpo para fora d’água, dando uma marcha ré a toda velocidade fazendo um rastro de onda e espuma.
Fiquei maravilhado, mas então quando as coisas se acalmaram o golfinho ficou com a cabeça para fora da água e o animador se distraiu, vi a oportunidade de pôr a mão no Flipper - Quando toquei sua cabeça, de baixo da atenção de umas 400 pessoas, tomei uma TREMENDA MORDIDA do bicho . Uma coisa estranhíssima, um misto de dor, choque e susto . O público delirou!
Fiquei envergonhadíssimo mas pensei – que experiência!
01:49
Quarta-feira, Agosto 27, 2003
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